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Paralaxismo Comunicativo

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O meu amo ouvia-me com uma inquietação e nervosismo irreprimíveis, pois “duvidar” e “não acreditar” são palavras tão pouco usadas neste país que os seus habitantes não sabem como reagir perante tais situações.

E recordo-me de que, quando as minhas conversas com o meu amo sobre a natureza humana nas outras regiões do mundo surgiam termos como “mentir” e “falsidade”, era com muita dificuldade que me fazia compreender, apesar de no resto ele dar mostras de um raciocínio brilhante.

Ele defendia que o uso da fala servia para nos compreendermos uns aos outros e recebermos informação sobre factos e que, se uma pessoa dizia “aquilo que não era”, ia contra estas duas finalidades, pois não só o seu interlocutor continuava, a bem dizer, sem o compreender como, quanto a receber informação, estava numa situação pior do que se tivesse permanecido na ignorância, pois fora levado a tomar o “branco” pelo “preto” e o “comprido” pelo “curto”.

E nisso se resumiam as suas noções com respeito à faculdade de mentir, tão perfeitamente compreendida e universalmente praticada entre as criaturas humanas.
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In “As Viagens de Guliver” de Jonathan Swift

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