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Paralaxismo de Leitura (explicação)

Este paralaxismo serve para ilustrar a iliteracia crassa do povo português, onde a maior parte da população não vai além da 4ª classe ou, talvez, do ciclo secundário.

“Navegar é preciso”, como dizia o poeta; ler também é preciso, pois sem uma leitura assídua de obras literárias, revistas e jornais (pelo menos…) é quase impossível (se não mesmo impossível de todo…) criar uma mentalidade consciente e apta a ajuizar sobre a maior parte dos temas da actualidade.

Para se perceber cabalmente o mundo que nos rodeia, é necessário ter um mínimo de conhecimento de História Mundial, de Geografia, de Ciência em geral, de Política, de Sociologia, de Literatura; só assim estamos minimamente capazes de compreender, tomar partido e participar.

No entanto, devemos fazer sempre uma leitura crítica (se não lermos nada, não temos bases para criticar!), de modo a que não tomemos como certo tudo o que está escrito; não podemos, nem devemos, assimilar tudo o que lemos como se se tratasse de “coisa certa e verídica”; quem escreve também se engana e erra, também pensa e age consoante a sua própria vivência, a sua mentalidade, o seu “eu”; o que se escreve poderá não ser falso, mas também não é necessariamente certo (a palavra assimilar está, aqui, com uma conotação fisiológica e não mental).

A não ser assim, caímos no erro do nosso fidalgo D.Quixote, tão magistralmente descrito pelo seu criador Miguel De Cervantes (Saavedra); ler muito (SÓ ler muito…), não é sinónimo de aculturação; não se aprende, antes pelo contrário, embrutece-se e cristaliza-se numa amálgama de opiniões quiçá contraditórias, à qual nós, inconscientemente, vamos dando uma forma trambolha e ortorrômbica que nos “serve” e nos “guia” na via do nada…

Se, além disso, só lermos romances de cordel ou jornais desportivos; se só assistirmos a tele-novelas e “big-brothers”; se só falarmos de “quem lavou a porca” ou de “quem foi transferido”; se teimarmos displicentemente a comer dessa “marmelada” indigesta e sensaborona, criamos um mundo ilusório, totalmente desfasado da realidade e ficamos plenamente (mas erradamente…) convencidos que a vida é isso.

Tal e qual como D.Quixote De La Mancha; sem tirar nem pôr…

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