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Poema Interseccionista

Gostava que o sonho fosse um bólide vermelho
Que aumentasse a velocidade deste corpo estático
E esta cor juvenil, do meu coração velho
Desse mais sonoridade ao pensamento errático

Voava para tão longe deste tempo infindo
Onde a quimera utópica fosse realidade
Que, nem a dor, nem a solidão, que vou sentindo
Pudessem estar em mim como sendo uma asseidade

E se acordasse alhures, adentro do meu nada
Num sítio inexistente, ou irreal e medonho
Onde só vislumbrasse além da curva da estrada

Pegava neste soneto que agora componho
Dava com ele dez mil voltas de uma só guinada
E girava novamente em direcção ao sonho

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